"A realização singular de cada mulher revela a contribuição das mulheres à pluralidade do mundo." (Eugênia Wagner)
"Manifesto" (*)
Fortaleza, janeiro de 2009.
Estamos cientes de que o papel atribuído ás mulheres no decorrer da História da Filosofia não condiz com a importância que elas têm na construção dessa mesma história. Mulheres notáveis como Hipátia (ou Hipácia) de Alexandria (370 - 415 E.C.), que atuou em diversas áreas do conhecimento, como matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia, artes, oratória e retórica, foram silenciadas e sequer são consideradas filósofas/ pensadoras ou tem algum tipo de reconhecimento na sua área de atuação, pelo simples fato de serem mulheres. E outras tantas no decorrer da história são igualmente negligenciadas, embora as mesmas tenham lutado para mudar essa realidade, como Hannah Arendt, Simone Weil, Edith Stein, Mari Zambrano, Rosa Luxemburgo, Simone de Beauvoir e etc.
Que questões sociais, políticas e morais estão embutidas nesse fato? Porque as mulheres foram silenciadas? Porque elas calaram? São questionamentos como esses que norteiam a nossa reflexão. Não queremos apenas fazer justiça à ausência das mulheres na “filosofia oficial” (dos “manuais”), mas antes fazer com que esse fato não continue a ser mais notável que as grandes pensadoras que foram e ainda são negligenciadas por ele.
O Grupo de Estudos sobre as Mulheres na História da Filosofia nasceu com o intuito de tornar público esse debate a partir da nossa Universidade e comunidade acadêmica. Ousamos fazer essa discussão porque queremos que a filosofia seja um espaço igualitário no que diz respeito às produções, ao engajamento e a divulgação do conhecimento sem preconceitos, para que assim a sociedade como um todo também possa ser beneficiada.
No momento histórico em que vivemos, de crise econômica nas estruturas do mercado capitalista, de avanço tecnológico em tempo real, de conquistas em maiores espaços para as mulheres, mas que ao mesmo tempo ainda reproduz o ideal patriarcal e machista, as desigualdades sociais, e diversos preconceitos... é que queremos dizer:
Nós mulheres, estudantes de filosofia...
Prezamos pelo livre pensamento e pela mudança nos rumos da nossa história;
Acreditamos que a filosofia precisa ser difundida de maneira a abranger o maior número de pessoas possíveis, pois assim desempenhará o papel social a ela designado: ajudar as pessoas a questionar-se e a questionar o mundo em que vivem, as coisas deste mundo e a própria existência;
Queremos uma educação que antes de tudo seja formadora de pessoas livres e conscientes social e politicamente;
Sonhamos com um mundo melhor... mais humano, fraterno e igualitário, onde as nossas diferenças não sejam antagônicas ás nossas igualdades, mas que se complementem em um ambiente de respeito mútuo, compreensão e fraternidade;
Somos contrárias ao machismo, ao patriarcalismo e a uma moral que não leve em consideração as diversas realidades presentes no mundo;
Somos a favor de um mundo onde mulheres e homens possam caminhar
junt@s e produzir conhecimento em pés de igualdade sem que um/a esteja em detrimento do/a outro/a.
Essa é a nossa utopia, que nos guiará por novas descobertas, rumo a um novo jeito de “fazer” Filosofia!
* Aberto à contribuições.
mulheres.filosofia@gmail.com